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Oi pessoal!

Essa é uma pergunta que a resposta vale ouro! Muita gente pensa em seguir uma carreira na Medicina Humanitária, mas não faz ideia de onde começar. Não existe faculdade ou mesmo uma residência médica que te prepare para isso, mas você pode iniciar trilhando alguns passos para adquirir um conjunto de habilidades específicas que serão necessárias quando você estiver em campo.

Geralmente, isso quer dizer ter conhecimento dos principais temas que envolvem a saúde pública global, competências técnicas, como gestão e pesquisa de programas, e soft skills, como comunicação assertiva, consciência sociocultural e compromisso com a justiça social.

Mas o que é uma saúde pública global, com o quê você vai trabalhar? Uma carreira nessa área pode ser uma experiência de campo, durante um período determinado, ou um compromisso para toda a vida. Tudo depende de como você vai se adaptar aos desafios propostos.

Medicina Humanitária é para mim?

Um bom ponto de partida antes de decidir por essa área é se perguntar o que você espera alcançar. Para algumas pessoas, fazer Medicina significa ganhar dinheiro, para outros quer dizer ajudar o outro ou mesmo superar um trauma passado.

Em 2005, durante minha residência em Clínica Médica naUFES (Universidade Federal do Espírito Santo)., resolvi que queria ver o HIV de perto. Na época, o governo americano tinha aberto um fundo para tratar pessoas portadoras do vírus no continente africano, então percebi aí uma chance. Pedi para passar quatro meses da minha residência em Maputo, capital do Moçambique. Fiquei em um dos maiores hospitais da cidade, fazendo parte da equipe de consultoria técnica e realizando mais de 100 atendimentos por dia.

Quando concluí minha residência, dias depois já estava de volta ao Moçambique. Escolhi a província da Zambézia para atuar, por ser a que tinha mais casos de HIV na época. Meu trabalho por lá envolveu, inclusive, ajudar a construir um hospital do zero, literalmente. Passei cinco anos no país, no total.

Trabalhar com Medicina Humanitária exige muita honestidade consigo mesmo: prefiro estar dentro de uma sala oferecendo suporte técnico às equipes de campo ou estar próximo ao leito dos pacientes? Estou mais propenso a trabalhar em uma zona de desastre por um curto prazo ou ajudar a resolver problemas sistemáticos em países carentes?

Também é preciso levar em consideração desafios como a falta de recursos para diagnóstico e tratamento e tomar decisões clínicas sem alguém para pedir ajuda. Talvez uma das principais questões seja como se adaptar a diferentes sistemas de saúde, com valores culturais e formas de trabalho bem diferentes das que você já conhece.

Qual organização eu escolho?

Quando o assunto é Medicina Humanitária, a ONG Médicos Sem Fronteiras é o primeiro nome que todo mundo pensa. Existem muitas organizações espalhadas por todo o mundo, cada qual com seus propósitos, limitações, alinhamentos políticos e restrições financeiras.

A MSF é a maior ONG de ajuda humanitária internacional do mundo, na área da saúde. O foco dela é proporcionar ações de longo prazo em casos de conflitos prolongados, instabilidade crônica ou catástrofes. Eles venceram o Prêmio Nobel da Paz em 1999 e desde então são reconhecidos mundialmente por sua atuação, em mais de 70 países. A instituição mantém uma página com carreiras internacionaisespecíficas para o Brasil.

Pelo tempo de experiência, ONGs de ação humanitária internacional têm um desenho muito claro sobre as limitações da atuação médica. Em grande parte das vezes, elas chegam em ambientes em que trabalhadores de saúde treinados morreram ou fugiram dessas áreas, não deixando nenhuma geração futura de pessoal treinado. É preciso começar do zero, sem nenhum serviço de saúde remanescente para oferecer apoio.

É preciso sempre lembrar que o médico de ação humanitária não toma partido nos conflitos locais. Eles estão ali para garantir que um mínimo de assistência crítica seja oferecido a todos aqueles que estão em crise.

Formas de desenvolver habilidades necessárias

Por ser uma área ampla, os profissionais interessados em seguir na área da saúde pública global costumam seguir caminhos distintos entre si. Muitos optam por cursar uma especialização ou mesmo um mestrado em Saúde Pública, por exemplo. Isso ajuda a entrar em contato com pessoas de áreas que podem ser do seu interesse.

Caso você esteja na faculdade, também pode optar por eletivas em ambientes desafiadores e/ou com menos recursos. No Brasil, existem diversas comunidades carentes de atendimento médico de qualidade, no SUS. As unidades básicas podem trazer um olhar totalmente diferente do atendimento de um hospital privado, por exemplo.

Envolva-se com lideranças de qualidade e desenvolvimento, atendimentos de saúde primária, obstetrícia, doenças infecciosas, entre outras áreas importantes para a atuação humanitária. Saber falar outros idiomas – inglês principalmente! – é outra habilidade fundamental. Preparado para fazer a diferença? Então fica aqui mais uma dica: neste sábado (23), a partir das 19h, estarei ao vivo em nosso perfil do Instagram, para falar sobre os desafios da Medicina Humanitária no continente africano. Anote na sua agenda!