[:pb]Aproveitando que esta semana estou a trabalho em Montreal, na província do Quebec, resolvi fazer um post sobre os critérios básicos de elegibilidade para aplicar para a residência médica no Canadá. Se o seu destino final é o extremo Norte das Américas, é bom saber que, assim como nos Estados Unidos, a residência é obrigatória para que o médico possa atuar de forma independente no país, mesmo os CMG (Canadian Medical Graduates).

Para os estrangeiros, conhecidos como IMG (sigla para International Medical Graduates), antes de tudo, é preciso ter cidadania canadense ou alcançar o status de residente permanente (uma espécie de “green card”), que você pode conseguir seguindo os critérios dos programas de imigração. Não estou`dizendo que é simples, mas a vantagem é que o Canadá tem um programa bastante amplo e interessante, especialmente em algumas províncias, e a mão de obra especializada, como a do médico, é altamente valorizada.

CONHEÇA O PROCESSO

Diferente dos Estados Unidos – onde se entende que, se você passou no USMLE, você tem fluência na língua –, no processo canadense é preciso comprovar a proficiência do idioma (inglês ou francês). Então, você terá que se preparar para provas como o TOEFL (Test of English as a Foreign Language), o IELTS (International English Language Testing System) ou seus correspondentes franceses. Se você é estrangeiro, mas fez faculdade de medicina em alguma instituição de língua inglesa ou francesa, isso já é considerado comprovante de proficiência. Mas sabemos que essa não é a realidade da maioria, né?

Ultrapassada a barreira da língua, os médicos estrangeiros têm três opções: a primeira, mais segura, porém mais cara e mais longa, é revalidar o diploma e refazer a residência. A revalidação vai te exigir três etapas do Medical Council of Canada Qualifying Examination (MCCQE) e o NAC. Feito isso, você poderá se candidatar a uma das (concorridas) vagas para médicos imigrantes.

A segunda alterantiva é refazer os dois últimos anos do internato em uma faculdade canadense. Quer saber os contras? São poucas vagas e o curso é (muito bem) pago. As vantagens? Além de sair com diploma canadense e concorrer às vagas oferecidas aos CMG, que são em número muito maior, você já cria sua rede de contatos e a aumenta as chances de conseguir boas cartas de referência.

A terceira opção, única que exclui a obrigatoriedade de refazer a residência, é aplicar para um fellowship (especialização). Nesse caso, no entanto, como você não passou pelo processo de revalidação do diploma, o fellow só te permite atuar dentro do hospital onde você está estudando e, terminado o curso, adeus licença…
Semelhante ao que ocorre nos Estados Unidos, para prestar os exames, você precisa ter feito medicina em uma faculdade que pertença ao World Directory of Medical Schools. O NAC e o MCCQE podem ser realizados na ordem que você desejar, mas preste atenção aos prazos de inscrição, principalmente do NAC, que só pode ser feito uma vez por ano. Já o MCCQE acontece quatro vezes por ano.

Ainda que para médicos formados nos Estados Unidos o processo seja diferente (e bem mais simples), se você for um IMG, mesmo que tenha prestado e passado no USMLE, vai ter que prestar o exame canadense.
Para começar o processo canadense, visite este site.

DIRIJA SUA APLICAÇÃO PARA PROVÍNCIAS ESPECÍFICAS

Uma coisa importante para levar em consideração quando for decidir para onde aplicar, é que cada província canadense tem o seu próprio critério de elegibilidade. Manitoba e Ontario parecem ser as mais IMG friendly, mas há oportunidades em todo o Canadá. Você pode consultar os critérios de cada província neste link.

Outra informação relevante é que algumas especialidades são mais necessárias do que outras. Adianto que, para estrangeiros, o maior número de vagas normalmente é para Medicina da Família, mas existe uma lista de “needed specialities”, que é sempre bom checar. Para ver a lista de programas e disciplinas (com número de IMGs) para o Canadá, clique aqui.

SE EU FIZER RESIDÊNCIA NO CANADÁ, POSSO ME MUDAR PARA OS ESTADOS UNIDOS?

Algumas pessoas têm a percepção de que o processo canadense é mais simples que o americano, mas isso não é verdade. No entanto, os médicos canadenses não são considerados IMG nos Estados Unidos, pois receberam treinamento semelhante aos americanos. A grande vantagem é que muitos estados, como a Flórida por exemplo, usam a lei da reciprocidade e aceitam o treinamento por completo, sem ser necessário que o médico refaça a residência. Portanto, se você fez residência no Canadá, poderá atuar nos Estados Unidos, desde que consiga um empregador.

THE MATCH (CANADIAN RESIDENT MATCHING SERVICE (CARMS) R-1 – MAIN RESIDENCY

O Canadá usa um sistema para o match (seleção dos residentes para entrevista e colocações) muito semelhante ao dos Estados Unidos. Na verdade, os dois sistemas se comunicam, de forma que você sempre vai dar o match em uma única instituição. Mas esse é assunto para o próximo post…

Um abraço,
Juliana Soares Linn[:]

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