[:pb]A decisão de mudar de país não é simples. Ainda mais quando pesa sobre ela uma série de exigências até finalmente poder exercer sua carreira. Se você escolheu tentar a vida nos Estados Unidos e é um profissional de saúde, a questão é ainda mais complexa, uma vez que não existe uma forma de revalidação do diploma para estrangeiros. Com exceção da área de pesquisa, para ser médico e clinicar nos Estados Unidos você tem que participar de um programa de residência médica no país. Não existe outra forma. Não tem como dar um jeitinho.

O processo para tentar a residência é longo e exige muitas horas de dedicação, mesmo para quem já é formado ou até para quem já fez a residência médica no Brasil. A quantidade e variedade de material para estudar é grande e quanto antes começar, melhor. Você não precisará fazer um exame de proficiência em inglês, já que subentende-se que se o candidato conseguiu uma nota boa nas provas, ele tem a fluência necessária para o trabalho. Mas isso não significa que dá para tentar os exames com um nível básico de inglês. Não dá mesmo. O ideal é investir no aprendizado ou na reciclagem da língua, assim que você decidir começar a estudar para os exames específicos.

Algumas pessoas ainda não se familiarizaram com os termos que encontrarão ao longo do caminho. Então, vamos lá: até conseguir um certificado do ECFMG (Education Commission for Foreign Medical Graduates), que atesta que está apto a entrar em algum programa americano de residência médica, você vai precisar vencer alguns desafios. O primeiro passo é se cadastrar na OASIS (On-line Application Status Information System), plataforma para se inscrever no ECFMG, e a exigência para isso é que sua faculdade esteja na lista do IMED (International Medical Educational Directory). Falamos disso no artigo publicado no dia 8/05, dá uma olhada lá!

Depois de se cadastrar, o sistema vai fornecer um número de identificação e abrir um processo para verificação dos seus documentos. Com a validação dos documentos, você poderá fazer as provas do USMLE (United States Medical Licensing Examination). O USMLE é um conjunto de testes que todos os médicos americanos e os IMGs (International Medical Graduates, ou seja, os estrangeiros) precisam passar para poder se candidatar à residência.

Vamos falar mais profundamente de cada uma das provas do USMLE no próximo artigo do blog, na semana que vem. Mas, por hora, é bom ter em mente que o Step 1 mede os conhecimentos sobre as Ciências Básicas, enquanto o Step 2 avalia seu conhecimento sobre assuntos específicos da medicina, e é dividido em duas etapas: CK/Conhecimento Clínico e CS/Competências Clínicas (essa última é uma prova prática).

Uma vez que você já tenha passado nestas três provas e recebido o certificado do ECFMG, você estará apto a aplicar para a residência médica como qualquer estudante de medicina americano. Para isso, você precisará se cadastrar no ERAS (Eletronic Residency Application System), outra plataforma online, onde você vai fazer o upload de todos os seus documentos e enviar para os programas que desejar. Depois de aplicar, alguns programas devem te chamar para uma entrevista e você terá que viajar, pois elas são feitas presencialmente, nos hospitais. Falamos detalhadamente dessa fase do processo no artigo publicado no dia 30/04. Vale a leitura!

É muito importante ter uma ideia de como funciona o calendário de cada processo, para se organizar a tempo. O ERAS abre para upload no fim de junho, início de julho, e sempre é bom se inscrever logo, porque são muitas etapas para concluir. Em meados de setembro, a temporada de aplicação abre e você pode concorrer a quantos programas tiver selecionado. Novamente, vale lembrar que é bom aplicar logo na abertura, para ter mais chances de ser visto pelas bancas. As entrevistas acontecem normalmente entre outubro e dezembro. Depois disso é aguardar pelo tão sonhado Match (seleção dos candidatos pelos programas), que é divulgado em março.

Aí é fazer as malas, porque os programas de residência começam entre junho e julho, normalmente. Sabendo disso, faça as contas de trás pra frente, considerando o ano que quer aplicar para o Match, e você verá que nunca é cedo demais para começar a se preparar!

Um abraço,
Juliana Soares Linn

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